julho 02, 2009
Mundo Perfeito #46

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andersen (6 de Novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004)
julho 01, 2009
Sal na Terra
Recebi uns quantos mails, mais uns quantos comentários, que perguntavam se era possível comprar o meu livro no Brasil. A resposta é sim: podem fazê-lo através da livraria online da Bertrand. Aliás, desde Portugal também, beneficiando aliás de um ligeiro desconto. Aqui fica o link.
junho 29, 2009
A Quiksilver
Há exactamente três anos comprei um relógio da Quiksilver. Fi-lo numa loja da marca. Estava convencido que era um relógio adequado para fazer surf, afinal tratava-se de uma marca que se havia iniciado e consolidado através do material técnico. Três anos depois, como é normal após várias emersões marítimas, a bracelete do relógio partiu-se. Tudo natural. Dirigi-me à Quiksilver para que me trocassem a mesma. Para meu espanto, telefonaram-me a informar-me que não existiam braceletes para aquele relógio. Logo, fiquei com um relógio que não serve para nada.
Moral da história: não comprem relógios da Quiksilver, não foram feitos para irem para dentro de água, ou seja, não foram feitos para fazer surf; e as marcas de surf deixaram de ter como core business o material para o surf e estão mais concentradas em vender t-shirts. Cheira-me que, qualquer dia, o surf sai de moda e como entretanto vão ficar descapitalizadas junto de quem as procura para material técnico, acabarão metidas num sarilho.
Muy lindo

Saca (e El Conejo) com um óptimo destaque na homepage do jornal A Bola ontem, depois da vitória sobre Dane Reynolds no round 2 do Hang Loose Pro. E no Brasil mantém-se o código postal dos seus adversários: no round 3 será a vez de Tiago Pires encontrar Bobby Martinez.
Go Saca!
junho 28, 2009
Hang Loose Pro
"Carlos Leite, vulgo KS9, chegou a Imbituba sem suas pranchas, extraviadas pela companhia aerea.
Decidiu surfar com uma 6′ do Miky Picon mas em cima da hora mudou de ideia e foi com uma 6′ do Patachia.
Se enterrou e vai para repescagem.
Sujeito ainda tem saco para uma breve coletiva.
Não deve ser fácil ser o Careca…"
Júlio Adler, em Imbituba.
Quanto a Tiago Pires, vai surfar no Round 2 (previsivelmente hoje) contra Dane Reynolds. Vai Saca!
junho 24, 2009
O nosso esqui
O surf está um pouco por todo o lado. Hoje, quer seja numa praia, quer num anúncio televisivo, é difícil não nos cruzarmos quotidianamente com uma prancha, que sugere invariavelmente uma ideia de liberdade.
Esta presença quase hegemónica do surf coexiste com uma desvalorização do papel económico do desporto. Apesar de não haver quem não valorize o papel do mar como alavanca de um novo modelo de desenvolvimento para o país, estamos muito longe de concretizar esse objectivo e de fazer do surf um aspecto central da associação entre ‘mar’ e a ‘marca Portugal’. O que é tanto mais estranho quanto o surf poderia estar para o turismo português como os desportos de neve estão para os Alpes suíços. O turismo de surf não é um turismo de massas, é sustentável e continuado, e um nicho de mercado sólido e em crescimento. E abundam pela Europa casos de desenvolvimento virtuoso de regiões inteiras, literalmente “puxadas” pelo esqui. Portugal tem um clima temperado, ondas de qualidade, surfáveis durante todo o ano, centralidade (quando comparado com outros destinos de surf) combinada com baixa ocupação das praias na época alta do surf (fora do Verão). O surf poderia ser o nosso esqui, mas, também, o novo golf.
Para que isso acontecesse era preciso que o surf fosse olhado não apenas como uma modalidade desportiva ou um estilo de vida, mas, também, como um bem económico com enorme potencial de expansão, de que o conjunto da sociedade beneficiaria. O que está longe de acontecer.
Publicado hoje no i (que hoje dedica duas páginas ao surf)
junho 23, 2009
The Search.pt
São onze e meia da manhã do dia em que será apresentada oficialmente, numa conferência de imprensa, a etapa do World Tour em Portugal e nenhum dos quatro mais relevantes sites de surf nacionais diz alguma coisa sobre o assunto, dando ou reforçando a notícia. É o The Search levado ao extremo, estou em crer.
Admito que, entre notícias irrelevantes, os arquivos destes sites possam ter alguma referência a esta conferência de imprensa, mas não a encontro minimamente destacada. Parece-me pouco e não me parece sequer estratégia editorial. Tire-se o chapéu ao Surf.Sapo.pt que não se importou de dar esta notícia relativamente importante com a relevância devida (apesar de não se perceber se o site tem destaques) há alguns dias. Reparei agora que o Beachcam encaixou a notícia em "primeira mão" entre o circuito nacional de kite surf e o Ding não sei das quantas. Segue o link da notícia original, com um agradecimento ao Rodrigo Meirelles, que aqui a deixou num comentário.
Adenda: Entretanto os sites das revistas SURFPortugal e Onfire já dão a notícia. Só faltam os sites mais, hum, noticiosos.
junho 22, 2009
junho 21, 2009
ACABOU!!!
Pronto, acabou, não há mais, podem vender as pranchas e os fatos ao peso a quem quiser sair do país, ou a quem quiser decorar uma casa com objectos que não fazem falta a ninguém. NUNCA MAIS HÀ ONDAS!
Acabaram-se, não há mais, é o fim...
Que triste destino este do verão... ODEIO O VERÃO!!! Isto até Setembro demora tanto tempo a passar! RAIOS! E faz calor... não gosto do calor... e quem é são os que passam por este blogue que gostam mesmo de praia, uma praia sem ondas? Quem são? Acusem-se!
Desabafo bloguistico...
Today is the day
"Eu tinha meus pés naquela parte da vida
onde não se pode ir com intenção de regressar"
Dante Alighieri, 'Vita Nova'
International Surfing Day

"Sometimes in the morning, when it’s a good surf, I go out there, and I don’t feel like it’s a bad world", Kary Mullis
junho 19, 2009
Em nome do amiguismo
Assim, é com o mais supremo prazer (fazendo nossas as palavras do James Cook quando viu um gajo em cima de uma tábua há uma porrada de anos atrás, e que o Pedro tão bem cita na epígrafe do livro) que anunciamos o lançamento de "Sal na Terra", pela editora Bertrand, a partir de hoje nas livrarias de todo o país. O livro reúne crónicas do Pedro publicadas na SURFPortugal durante os últimos anos, recuperando oportunamente o título do seu espaço na revista. Para além das crónicas arrumadas em livro, há ainda as fotografias. Destas podemos dizer que foram captadas pelo Ricardo Bravo e complementam na perfeição uma série de textos singulares capazes de percorrer a distância entre Kelly Slater e Cesare Pavese, passando por Zico ou Tiago Pires.
O volume agora editado, a que o poeta José Tolentino Mendonça se refere no prefácio como "um dos mais belos livros da poesia portuguesa", será apresentado por Francisco José Viegas no próximo dia 23 de Junho, às 18:30, na livraria Ler Devagar, agora na LX Factory. Considerem-se convidados.
junho 18, 2009
junho 12, 2009
Os filhos de Aran?
Ver "Powers of Three" (completo) com Tom Lowey, Fergal Smith e Mickey Smith nas "geladas, temperamentais e poderosíssimas" ondas irlandesas aqui.
junho 09, 2009
Colectivo Moderno
Insubmisso. Criativo. Progressivo. Eis “Modern Collective”, o blogue-projecto-filme de Kai Neville.
“Um Taylor Steele com menos champô” (palavras de Travis Ferre, o novo editor da Surfing) terá sido das melhores definições que li sobre este puto australiano, que editou “Stanger Than Fiction” e “Days of the Strange” para a Poor Specimen e que tem neste delirante work in progress o seu mais recente e primeiro projecto.
A prova de que nestes dias em que se despeja, a um ritmo alucinante, tanta inutilidade para a internet, há ainda quem consiga subverter essa lógica facilitista e construa princípios e objectos criativos a um ritmo elevado, ainda que, aparentemente, de modo desinteressado – o que torna tudo sempre muito melhor.
E de que há quem traga, de facto, algo a um só tempo experimental (porque original) e afirmativo (porque com identidade) relativamente ao que já foi feito, sem ter que o menosprezar.
Sendo que o surf para além da linha de água é um enorme campo aberto para quem quiser fazer o que quiser – como objecto de trabalho ou corpo de influência – e essa é uma das belezas da coisa, vejo com agrado, para contrariar um pouco aquela ligeiramente entediante (e comercialmente cirúrgica) tendência retro, que apareça alguém fora da órbita do interesse corporativo da indústria – onde “modernidade” é sinónimo de facturação – a dizer sem vergonha que o moderno, o aqui e o agora, vale também por si só. E bem.
O blogue: http://www.moderncollective.tv/
Modern Collective - The First Visions from Poor Specimen on Vimeo.
lapsos
Não pretendo, de maneira nenhuma, coarctar ou censurar a discussão gerada nos comentários ao post abaixo. Mas, apesar do atraso de um dia, não posso deixar de vir aqui assinalar a comemoração, ontem, dia 8 de Junho, do World Ocean Day. Que olhos são estes com que olhamos o horizonte, que nos concentramos mais no crowd que vive ao nosso lado, do que na imensidão dos Oceanos onde nascem as ondas?




