julho 04, 2008
A cobardia da FIAT
Em Agosto de 2007 tive o primeiro contacto com a FIAT com o objectivo, que parecia comum desde o primeiro momento, de estabelecer um acordo de apoio à minha filha Francisca.
As razões do meu interesse especial no apoio de uma marca de automóveis são simples de explicar: com o reforço do investimento na competição e internacionalização pretendia ter as melhores condições de mobilidade para garantir maior flexibilidade de treino e garantir também maior oportunidade de conciliação com os estudos.
Pacientemente fui mantendo o assunto num círculo muito restrito de pessoas (que por exemplo excluíam a própria interessada) e esperei propostas concretas da FIAT.
Ao fim de meses comuniquei à FIAT que tinha fortes probabilidades de encontrar alternativas mas dava a primazia à FIAT por ter sido a primeira a fazer a aproximação.
A FIAT pediu-me um tempo para discutir o assunto com a casa-mãe em Itália e passando algum tempo comunicou-me o acordo para um patrocínio (entre o fim de Dezembro e o meio de Janeiro).
O assunto foi formalizado numa reunião com a FIAT na sua sede, com a presença, exigida pela FIAT, da própria Francisca e libertou-se a informação do apoio da FIAT, para além de se ter programado todo um programa de desenvolvimento da época no pressuposto de que o problema dos transportes estaria resolvido.
Meses de atraso na entrega do carro prometido levaram-me a pressionar a FIAT no sentido de ser permitida a realização de uma pequena surftrip durante uns dias na Páscoa.
A FIAT cedeu um carro por esses dias e a surftrip, bem como o apoio da FIAT, ficaram documentados, pelo menos em sites na Internet.
Meses e meses de insistências minhas, recusas de atender telefones, esquemas pueris de fingir dificuldades de comunicação, de tudo usou a FIAT para evitar o contacto.
Recebi hoje este mail que transcrevo:
“Boa tarde Sr. Henriques,
Venho por este meio informar, após os meus colegas me terem informado que tem tentado entrar em contacto com o Dr. Sergio Martins e possivelmente comigo, sem existo.
Que após conselho geral do Brand Fiat e da organização Internacional o conceito FiatFreeStyle Team, ficou congelado no mercado português. Isto é, A Fiat Group Automobiles Portugal não vai patrocinar nenhuma competição, bem como nenhum atleta. Com muita pena minha, pode não ser na opinião do Sr. Henriques, mas das poucas pessoas que ainda lutou para que o conceito não morresse em Portugal fui eu. Mas sem êxito. E só neste momento foi oportuno dar-vos esta informação, que não é de todo positivo para vocês, bem como para nós que desenvolvemos um grande projecto.
A Fiat com as novas instruções do novo Director Geral, vai abandonar todas as competições, virando-se para outras áreas de negócios.
Os meus cumprimentos,
S. Castelhano
Fiat Group Automobiles Portugal SA
Relações Externas e Comunicação
Gestor de Eventos
Tel. 21 412 54 00
Fax. 21 412 55 09
A que respondi:
“E a fiat, as pessoas envolvidas e sobretudo o seu director geral não têm a coragem de dizer isto cara a cara, evitando com esquemas infantis o meu contacto. Nem mesmo por telefone.
Agradeço que transmita ao seu director geral a minha convicção que quem gere com um nível de cobardia e falta de palavra a este ponto um dia estará enredado na sua própria teia.
henrique pereira dos santos”
Até hoje nunca precisei de um único contrato escrito para considerar fechado um patrocínio. E continuo sem precisar porque felizmente lido habitualmente com pessoas de bem.
Mas fica o aviso para quem um dia queira lidar com o Sr. Stefano Solfaroli, director geral da FIAT Portugal: só por escrito e na presença de um advogado.
henrique pereira dos santos
julho 02, 2008
julho 01, 2008
O mar, de novo

No Inverno, o mar corre para nós e o seu tumulto, mesmo longínquo, alcança-nos os sentidos. No Verão, somos nós que caminhamos para o mar e para a sua claridade agitada e horizontal. Hoje, levantei-me cedo e, em frente do sol que nascia, desejei o mar. Imaginei-o em mim e prometi não lhe faltar, obrigando o tempo que me falta a levar-me ao seu encontro. O desejo do mar é como o desejo do corpo: são ambos desejos de infinito. E também nos dois desejamos o nosso desejo deles. Por isso, o que desejamos só nos é dado quando, pela memória, o obtemos uma segunda vez. A memória é um desejo de passado e o desejo é uma memória de futuro. As batalhas do desejo são grandes batalhas navais com o tempo e o mundo: nas suas vitórias há gritos e conquistas; nas suas derrotas, massacres e motins. Dizemos "o mar!" e, nesse dizer, dizemos também os seus perigos, naufrágios, destroços, plenitudes, êxtases e tesouros. O mar e o desejo são cansativos como a vida.
José Manuel dos Santos no Expresso deste fim-de-semana, para continuar a ler aqui.
as ondas da rádio
o Ondas nas ondas hertzianas do programa Janela Aberta no Rádio Clube Português, para conferir aqui.
junho 29, 2008
Desabafo I Tema de Verão
Já estou com saudades do frio... é só o que tenho para dizer...

E então? Quero lá saber disso!
Raios... para este vento de norte nojento...
junho 25, 2008
Programa para hoje

"Quarta-feira, dia 25, por volta das 22h, há mais uma sessão mensal da Cinecittà no Centro Cultural O Século no nº 80 da Rua de O Século, junto à Escola Superior de Dança e ao Ministério do Ambiente.
Desta vez, com o Verão finalmente à porta e para celebrar o 30º aniversário do filme, vai ser exibido "Big Wednesday" (EUA, 1978): magnífica fusão de surf, misticismo e mitologia, entre a herança da tradição clássica e a modernidade das novas vagas, e elegia a um tempo perdido, segundo a pessoalíssima visão de um realizador (e argumentista - Apocalypse Now, Jeremiah Johnson, Dirty Harry) "maldito", John Milius. Clássico de culto da "Nova Hollywood" dos anos 70, épico e intimista, é um das mais belas e comoventes reflexões sobre as dores do crescimento e a passagem do tempo. Entre os seus muitos admiradores está, por exemplo, Quentin Tarantino, que o homenageou em "Death Proof" e se referiu a ele como um filme "muitíssimo melhor do que os surfistas alguma vez mereceriam"... A seguir, haverá mais um "set" musical do DJ Frank da Soundcraft, desta vez mais ligado a sonoridades "tki", para manter o espírito da noite. Entrada livre. (o filme será exibido com legendas em inglês; a alternativa, legendagem em brasileiro, não é de todo aconselhável)."
junho 24, 2008
Mar Salgado

Ao contrário do que diz a cartilha dos indigentes, ao pé do mar ficamos enormes, ficamos gigantes. Só de o ver.
Olhar sem esperar nada - nem a retribuição do olhar - é um privilégio. O mar, como a morte, oferece-nos essa plateia. Diante deles só podemos melhorar.
Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado, uma leitura diária e obrigatória.
Saca Interview
Words from Tiago Pires (PRT) about his ASP World Tour Rookie Year
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Tiago Pires, who will turn 27 this summer, has been a leading European surfer for a decade now, and after qualifying for the Dream Tour last year thanks to a 4th place finish on the ASP World Qualifying Series ratings, he has all the potential to remain among the ASP Top 45.
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3. What is your plan now?
I went to the Maldives and got another good result for my ASP WQS ranking. I have chosen to attend the biggest WQS events this year to try and secure my ASP Top 45 spot on both tours, and so far it has been a good choice. The WQS offer a different format and you always get to surf more heats in shorter waiting periods which is a very good training, and keeps you fit and focused on your surfing before the main ASP Wolrd Tour stops.
...
6. What about the ASP Top 45?
It has been an amazing year so far and the level at every event is just crazy. I was sort of expecting a bit more of Andy Irons (HAW); I thought he would be a little bit more psyched to win another world title, but I guess he has been kind of lazy in his heats. I thought he would be the warrior he used to be when he won his three consecutive ASP World titles. Kelly Slater (USA) has been the killer this year, and the excess of confidence has been tearing the others apart. He gets to the places the day before competing while everybody has been there training for a couple days sometimes a week, and wins almost all the time.
7. Next event is the Billabong Pro at Jeffrey's Bay, how do you like it there?
I love Jeffrey's Bay and South Africa in general. I guess if it's turned on it can be mind-blowing with the atmosphere and feeling that are always great there. The wave itself is amazing and I know I can do good on such a righthand pointbreak. I will be really focused!
mais do Saca aqui
junho 23, 2008
outlier

I wish that I believed in fate
I wish I didn't sleep so late
I used to be carried in the arms of cheerleaders
Concerto dos National na Aula Magna para ver aqui.
junho 20, 2008
Eu sou suspeito mas parece-me uma boa ideia
http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/8f8e9fd3232e3db4f162c3.html
Lisboa, 20 Jun (Lusa) - O plano global para a zona ribeirinha de Lisboa que a câmara vai apresentar sábado à imprensa prevê uma nova praia, com ondas artificiais, na Doca do Poço do Bispo, que a autarquia quer ver integrado no domínio público municipal.
Aposto que aquelas empresas das "experiências" vão inventar um novo pack: Jantar na Bica do Sapato + Lux + Corte de Cabelo no Facto + Aula de Surf.
junho 19, 2008
Mundo Perfeito #36

Ao longe, mui longe, no horizonte,
além, muito além daquele monte,
como ave que voa desdenhada,
flutua tristemente uma jangada.
Nos zangados soluços do oceano,
quase desaparece o canto humano
de quem no mar e céu inda confia
porque em terra tudo lhe é melancolia.
Isso de terra firme e mar traiçoeiro
nem sempre é certo para o jangadeiro
mais preso ao fiel sal que à incerta areia.
Mistura ao grande azul as suas mágoas
e encontra no vaivém das verdes águas
consôlo às negras dores cá da terra.
Gilberto Freyre
continuando a roubar inspiração daqui.
junho 18, 2008
junho 16, 2008
O Surf como ele é

Na sua autobiografia, “Pipe Dreams”, Kelly Slater diz que só houve dois filmes que retrataram o surf de modo adequado: Apocalipse Now e Big Wednesday. Com a intuição certa que o caracteriza, Slater afirma que, em ambos os casos, o surf surge como algo que, simultaneamente, apaixona e contamina as vidas dos protagonistas, sendo que estes estão dispostos a arriscar a “pele” por isso. Mais importante, nenhum dos filmes trata o surf ou os surfistas através de estereótipos apatetados.
Na verdade, Apocalipse Now e Big Wednesday são duas excepções que mostram o surf como ele é. Todas as tentativas feitas para envolver o surf em produções de Hollywood têm sido um enorme desastre. Nem é preciso recordar as aparições de Jimmy Slade (aka Slater) na série Baywatch, basta pensarmos em North Shore – Desafio no Havai, Point Break com o rei dos canastrões, Patrick Swayze, ou no mais recente Blue Crush para corarmos de vergonha com a imagem que o cinema constrói do surf e dos surfistas. O que é menos sabido é que por detrás das duas excepções encontra-se o mesmo homem, John Milius, membro destacado da geração de ‘movie brats’ (de que fizeram parte Coppola, Scorcese, Lucas, Spielberg), que no final dos anos setenta tomou Hollywood de assalto. Milius foi o argumentista de Apocalipse Now e realizador de Big Wednesday. Mas Milius é, antes de tudo o resto, um surfista. É esse o seu código genético e a sua identidade, construída na Malibu do início dos anos sessenta.
A propósito dos 30 anos da estreia de Big Wednesday, a Surfer’s Path regressou ao filme entrevistando Milius. Na entrevista, um conjunto de coisas resultam claras.
A primeira delas é que faz toda a diferença quando os filmes são feitos por surfistas. Isso nota-se em Apocalipse Now, na cena em que debaixo de fogo cerrado e enquanto os helicópteros avançam ao som da “Cavalgada das Valquírias’, a memória da Califórnia leva uns quantos soldados a apanhar umas ondas. É difícil conceber algo de mais contrastante do que o surf e a violência em absoluto do napalm, mesmo ali ao lado. Mas, ainda assim, há naquela cena uma dimensão realista, que a torna provável. Na total privação, qualquer surfista aproveitaria a possibilidade de surfar. E além de que o Vietname foi a “guerra da Califórnia”, o princípio do fim de uma era: a “era dourada”, do crescimento económico e da liberalização dos costumes – que encontrou na Califórnia do final dos anos sessenta a sua quintessência. A partir daí, tudo passaria a ser diferente e que melhor metáfora para o fim desse mundo do que expor a sua agonia em pleno Vietname.
O mesmo é válido para Big Wednesday, tudo ali é revelador do surf como ele é: a obsessão por uma onda mítica, a espera por um swell que faz com que mais nada tenha sentido e, claro, o surf como princípio orientador de toda a vida. A essência do filme é a relação dos surfistas com o mar ao longo das estações. Além de que os personagens são pessoas de carne e osso, com densidade e não os “bonecos” que habitualmente fazem de surfistas no cinema. Não por acaso, é o único filme que envolve surf que diz qualquer coisa mesmo àqueles que não surfam.
Mas provavelmente a razão determinante para que Big Wednesday tenha resistido bem ao desgaste do tempo, prende-se com o modo como usa o surf para lidar com questões essenciais, que estão para além dos namoros à volta da fogueira no fim das férias que enxameiam a praia reflectida no cinema. Não por acaso, Milius reconhece na entrevista que teve duas grandes inspirações para escrever o argumento: as referências mitológicas ao Rei Artur e Moby Dick.
Num caso, a ideia de que, tal como a espada – Excalibur – era feita para um momento especial, também há pranchas que têm uma identidade própria que, revelando-se no tal dia que chegará e será como nenhum outro, acabam por transformar quem as usa. Como se a matéria tivesse existência autónoma, capaz de influir nas capacidades de quem a usa. No outro, a metáfora central de Moby Dick: o espectro do passado empurra-nos para uma busca – para a busca da baleia branca pelo Capitão Ahab – e durante esta, ao longo do caminho, sabemos que chegará um dia em que seremos obrigados a confrontar-nos com todos os nossos medos, com as nossas paixões e obsessões e que só então seremos capazes de mobilizar todas as nossas forças. O dia em que a tripulação do Pequod encontra Moby Dick é, em tudo, igual ao dia em que a ondulação perfeita chega, o Big Wednesday.
No fim, lida a entrevista e recordado o filme, sobra a questão que o Surfer’s Journal colocou aquando dos 20 anos de Big Wednesday: não será o filme apenas mais um exemplo do triunfo do marketing nostálgico da geração de baby-boomers californiana? É claro que é assim, mas para que volte a surgir bom cinema com surf, é preciso também que alguém volte a lançar um olhar nostálgico aos mitos fundadores da cultura de surf.
publicado na coluna Sal na Terra da SurfPortugal
junho 13, 2008
junho 12, 2008
coisas ainda melhores
Israel Kamakawiwo'ole aka IZ
e gostava de vos reportar para este post, dos idos de Fevereiro de 2004
coisas que eu realmente gostava de ter
Catch Surf surfboards by Y
P. S. e entretanto nas Maldivas o Saca não pára, não pára, não pára... para onde?
:)










