fevereiro 12, 2004

Surfista Prateado

O arauto de Galactus, cruza os céus sobre uma longboard que obedece aos seus pensamentos. Cintilante, sobre-humano, o Surfista Prateado paira acima dos homens questionando a existência. Criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1966 para a Marvel, o Silver Surfer é o mais poético e filosófico herói dos comics. A história começa com Galactus, o semi Deus dono do poder cósmico, o ser que se alimenta de planetas, que chega a Zenn-La, um planeta do Sistema de Deneb na Via Láctea, para saciar a sua fome. Norrin Radd, um jovem príncipe, sacrifica-se para salvar o seu planeta, tornando-se, imbuido do poder cósmico de Galactus, no Silver Surfer, cuja tarefa será a de descobrir outros planetas para satisfazer Galactus. É assim que chega à Terra, onde se vai apaixonar pela humanidade e rebelar-se contra Galactus, ficando condenado a nunca mais deixar a Terra e não poder voltar a Zenn-La. Essa abnegação, a sua entrega pelos outros é um dos aspectos mais marcantes e cativantes do Surfista Prateado.

Stan Lee, digam o que disserem, é um génio, criador de centenas de personagens, e autor de alguns dos mais poderosos diálogos que qualquer arte narrativa já teve. Esquecido durante várias décadas, pertença apenas de uns quantos nerds dos comics, a sua obra começa agora a ser devassada pelo cinema e, por arrasto, a cair no domínio público. Não tenho informação de que se esteja a preparar uma adaptação ao celulóide do Surfista, mas se algum produtor de Hollywood, estiver a pensar no assunto e tiver a sorte de ler este post, a minha escolha de casting vai para o Laird Hamilton - é só rapar-lhe o cabelo e pintá-lo de prateado, o resto, a figura imponente, o ar distante, o olhar poético, já lá está , alguém se lembra do North Shore, o filme...

Voltando ao Surfista Prateado. Stan Lee criou um personagem inimitável e completo. Solitário, como todos os surfistas, romântico como todos os soul surfers; poético, como todos os fins de tarde passados dentro de água; filosófico, como todos os horizontes distantes que olhamos quando remamos para fora; condenado, como todos os surfistas desde o momento que apanham a primeira onda. O Silver Surfer representa no imaginário de quem o admira a hipótese de comunhão com o cosmos que, julgo, todos ambicionamos. Mas se nada disto interessa, há pelo menos uma característica do Surfista Prateado que, penso, todos gostaríamos de ter, ele comanda a prancha com a mente. Isto faz-me pensar numa coisa, será que o Kelly Slater é o Surfista Prateado??

A melhor história do Surfer, na minha opinião, é Parable, escrita por Lee e desenhada por outro génio, Moebius.

Publicado por pedroarruda em fevereiro 12, 2004 08:39 PM
Comentários

mas na imprevisibilidade, na surpresa, naquilo que nem sempre podemos controlar, está, muitas vezes, a magnificiência da vida e o esplendor da sensação.

Afixado por: Lu. em fevereiro 13, 2004 09:47 PM

gd post. concordo com tudo o que disseste. amar o surf e o mar, é tudo akilo. apanhar uma onda é estar, sem duvida, condenado a amar o mar e a vida, no sei máximo esplendor.

Afixado por: custoias I em fevereiro 17, 2004 02:05 AM