
A onda de Jeffreys Bay é das mais difíceis de surfar no mundo. No outro dia dizia que os tubos deviam ser menos pontuados, tubos como os do México eram interessantes na parte crítica da onda, no inside era uma questão de pontos, e não de surfar bem a onda. Em J-Bay, bom a onda não consegue disfarçar a insuficiência de um surfista com um tubo. Para se fazer um tubo em J-Bay, que é uma onda bastante vertical, é necessário visão, saber ler a onda e ter pernas para ela.
Mas J-Bay foi estranho este ano. Houve coisas que bateram certo, outras que bateram muito errado. Andy Irons foi o que mais surpreendeu, mas na lógica das grandes penalidades, com o mar no estado em que estava, Roy Powers acertou direito no castigo máximo.
Na realidade, os resultados em J-bay começaram a contar no último dia, a partir do round quatro, quando as ondas estiveram boas. Houve desde o round quatro, exactamente quatro surfistas que se destacaram, Mick Fanning, Kelly Slater, Taj Burrow e Jordy Smith. Destes quatro que atingiram as meias finais, qualquer um podia ter ganho, apesar de na minha opinião, entre todos, ter sido Taj Burrow quem surfou melhor. Taj parece mais concentrado este ano do que nos outros, sem deixar que o seu surf sofra com isso.
A vitória foi para Fanning que teve dois momentos brilhantes (para lá de J-Bay se ajustar ao seu surf rápido e para a frente): a meia-final contra Kelly Slater – o domínio sobre o homem mais difícil de dominar na história do surf foi surpreendente, escolheu melhor as ondas e surfou-as melhor; outro momento foi a final, apesar de ter sido muito disputada, houve uma certa justiça no resultado final. Fanning errou menos apesar de terem surfado os dois muito bem.
As contas do mundial, bem, essas vão todas a favor de Slater. A vitória de Fanning é tudo menos perigosa. Fanning muito dificilmente ganha o mundial este ano, a não ser que faça um pequeno milagre. Andy Irons teve o pior resultado dos últimos anos, J-Bay não conta e ainda tem de se preocupar com um 9º. Com Slater como está, com um resultado a menos, só várias vitórias de Irons o conseguem pôr de volta. Para Andy uma vitória na próxima etapa pode fazer toda a diferença. Taj Burrow é agora segundo mas a vantagem de Slater é muito maior do que parece. Slater quando todos tiverem oito resultados feitos arrisca-se a estar à frente com um resultado ainda por acrescentar! Uma vitória na próxima etapa e seria o oitavo campeonato ganho com quase toda a certeza. Isto num ano em que, como em 2004, Slater quase nem liga ao que está a fazer, anda a surfar tipo free surf em conjunto com os seus sempre eficazes jogos psicológicos, quase na brincadeira também, como se viu no México.