O surf está um pouco por todo o lado. Hoje, quer seja numa praia, quer num anúncio televisivo, é difícil não nos cruzarmos quotidianamente com uma prancha, que sugere invariavelmente uma ideia de liberdade.
Esta presença quase hegemónica do surf coexiste com uma desvalorização do papel económico do desporto. Apesar de não haver quem não valorize o papel do mar como alavanca de um novo modelo de desenvolvimento para o país, estamos muito longe de concretizar esse objectivo e de fazer do surf um aspecto central da associação entre ‘mar’ e a ‘marca Portugal’. O que é tanto mais estranho quanto o surf poderia estar para o turismo português como os desportos de neve estão para os Alpes suíços. O turismo de surf não é um turismo de massas, é sustentável e continuado, e um nicho de mercado sólido e em crescimento. E abundam pela Europa casos de desenvolvimento virtuoso de regiões inteiras, literalmente “puxadas” pelo esqui. Portugal tem um clima temperado, ondas de qualidade, surfáveis durante todo o ano, centralidade (quando comparado com outros destinos de surf) combinada com baixa ocupação das praias na época alta do surf (fora do Verão). O surf poderia ser o nosso esqui, mas, também, o novo golf.
Para que isso acontecesse era preciso que o surf fosse olhado não apenas como uma modalidade desportiva ou um estilo de vida, mas, também, como um bem económico com enorme potencial de expansão, de que o conjunto da sociedade beneficiaria. O que está longe de acontecer.
Publicado hoje no i (que hoje dedica duas páginas ao surf)
Como já escrevi no comentário ao post anterior:
Muita Fixe...
Oxalá isto tudo se concretize depressa para ver se finalmente se pode passar a ir de Metro para a Ericeira, que é o meu sonho desde que o IC 19 passou Rio de Mouro.
Já estou a ver os bilhetes pre-comprados combinados: Carris/Metro/15 ondas num pico à escolha.
Vou propôr sociedade à SERVILUSA num projecto de criação de estancias de surf em cada praia, com monitores especializados em aulas de ondas a dois, três e quatro. E assim não só enterro de vez o Surf como desenvolvo Portugal e ainda acabo rico.
Tudo isto em nome de um plano integrado de 'desenvolvimento virtuoso' que, com sorte ainda acaba por salvar a Quimonda e a Autoeuropa e quem sabe o buraco da Segurança Social.
E os meus filhos que joguem golf se quiserem, ou playstation...
Olá, muito bons estes 2 artigos. O surf já começa a ser o nosso Ski - basta ver os alemães, austríacos....na Ericeira e na Costa Vicentina (onde já há surf camp's especializados para estrangeiros).
Quanto ao acréscimo de crowd,eles fazem cá no surf a mesma figura que os portugueses fazem quando vão esquiar para os Alpes - uns perigos, para eles proprios e para quem está á volta...
O crowd é inevitável - eu sou o crowd do outro...E é uma queixa de sempre - já nos anos 60/70 os surfistas se queixavam do crowd. Uma das soluções é a dispersão por mais praias - procurando e conhecendo, conseguimos surfar sozinhos mesmo ao fim-de-semana,evidentemente que não no Barbas nem em Carcavelos...
Já agora, há uma diferença essencial entre o surf e o golfe ou o ski - o surf exige cuidado com a natureza - quanto menos se mexer nas praias melhor; infelizmemte, o mesmo não se pode dizer do golfe (destruição de espaços naturais e desperdício de água) e do ski (basta observar as estâncias sem neve....)
Afixado por: Pedro Quadros em junho 24, 2009 12:25 PMI rest my case...
Afixado por: asa em junho 24, 2009 02:37 PMTRISTEZA! MOVIMENTO ANTI-CROWD
Afixado por: lol em junho 24, 2009 07:36 PMAmigos do Ondas e não só,
fiz uma mini reportagem no meu blog sobre a aprsentação do livro do Pedro Adão e Silva. Se quiserem saber mais sobre essa aprsentação (quem não foi lá) leiam se vos aprouver.
Um abraço e obrigado
Diogo
www.linhadeonda.blogspot.com
P.S. Desculpem a publicidade...
Afixado por: Diogo Alpendre em junho 24, 2009 10:07 PMEste blog cada vez se afirma mais como uma máquina de promoção do surf business em todo o seu esplendor . O que interessa aqui não é surfar ou as ondas, mas sim a forma como o surf se pode tornar num produto vendável tipo sabonete, o que interessa aqui é o lado comercial e monetário da coisa. Se as ondas só por si não vou chegam mudem-se para outro sport e parem de querem fazer das ondas um hipermercado onde todos julgam que podem encher a pança. O virus arruda espalha-se como fogo e como uma peste...agora temos o virus empadãodasilva.
Afixado por: anti-virus em junho 24, 2009 10:53 PMSe pensarmos que 70% dos Portugueses vivem numa faixa litoral com menos de 30km de largura, concluimos imediatamente que o saturar das nossas ondas é uma inevitabilidade!(e isto só com locais)
O que constrange é que não tem que ser nesta ou nas próximas duas gerações. Assim como tambem sabemos que o petroleo vai acabar, que capitalismo como o conhecemos já acabou, que o desenvolvimento baseado na construção civil já deu, enfim, que sabemos que somos de alguma forma previligiados por vivermos esta janela temporal que começou, grosso modo, quando os Inocentes(irmãos) e os outros começaram a andar cá nas ondas (perdoem-me a imprecisão os que têm registos anteriores), e que vai acabar tambem!! Insisto, não vendam aos poucos o que gostam de fazer, como gostam de fazer...
Não quero dizer que paremos de falar no surf, de escrever o surf, de vibrar e viver o surf. Mas podemos não ser pouco inteligentes e parar de importar formatos, com resultados comprovados, que catalisam o fim da forma de apreciação das ondas tal como a conhecemos. E posso estar enganado, mas não concebo outra melhor do que a que conheci de há 23 anos a esta parte.
Só leio este Blog porque gosto de surf e gosto de ler e ver surf, e por isso mesmo me permito a hipocrisia de escrever estas linhas. No entanto desenganem-se, as ondas e a maneira como as gozamos, são um recurso esgotável!
CROWD... assumindo que querem surfar em lisboa no fds: se estiverem às 7h30 em carcavelos ou no cds e marcelino surfam sem crowd. Se forem para a praia da mata e afins até as 9h30 tem o pico para voces. Guincho, P. Grande e Ericeira até as 9h30 pacifico (dp chegam as escolinhas)... qd nao conseguirem fazer matinal e tiverem que surfar durante o dia no fds tentem logo a seguir ao almoço (13h00/13h30) a enchente da manhã está a sair e a da tarde ainda não entrou ou entao ao final do dia (19h30)... eu no fds sou pax para estar a entrar dentro de agua às 7h30, costumo surfar s/ crowd, mesmo em carcavelos e marcelino.
É tudo uma questão de valorizar umas horas de sono e contrabalançar com umas horas de surf sem crowd. Claro que em dia de matinal durmo a minha sesta dp do almoço (sempre que posso e os putos deixam)
Afixado por: crowd 2 em junho 25, 2009 10:11 AMPois é! Quando disse, há uns blogs atrás que as ondas são finitas era a isto que me referia.
Hoje em dia já não são as pessoas que descobrem o surf mas sim o surf, na sua vertente comercial com a fachada do life style, que descobre as pessoas.
Ao contrário do surf, a comunidade de ski e snowboard não contém o exasperado número de idiotas que o surf se pode congratular de ter.
Nas montanhas nunca tive a oportunidade de ver alguém aos murros por lhe terem enviado um spray de powder ao focinho. Nas montanhas ainda não consegui ouvir um "Ó filho da put*, viste o toque que me desta na prancha?" nem um tímido "Palhaço do caralh*!" depois de uma razia. Nas montanhas só consigo ver pessoas alegres e a divertirem-se.
Olá, se virmos as fotos de surf dos anos 50/60, de Ala Moana, Malibu...reparamos que cada onda era surfada por 5,6 ou mais surfistas, e todos eles estavam felizes...mas surfavam todos para a frente, não cortando o verde nem fazendo manobras.
O efeito do crowd começa a sentir-se a partir do momento em que as pranchas se encurtam e aligeiram, permitindo manobras em toda a onda; a partir daí, uma onda só pode ser surfada por um único surfista.
Daí provavelmente o efeito crowd não se sentir tanto no ski ou no snowboard - se todos seguem em frente, basta acompanhar...Embora acredite que os mais avançados já reclamem do crowd nas pistas....
Afixado por: Pedro Quadros em junho 25, 2009 06:39 PMAgora disseste tudo André...Mete dó!
Afixado por: Melo em junho 25, 2009 06:40 PMBoas
Deslizo nas ondas vai para quase 30 anos e tb deslizo na neve, vai para uns 15.
Já por várias vezes referi a paz de alma que é a montanha, em contraste com a grande maioria dos picos que surfamos. No entanto, garanto que ainda na semana passada num dos melhores picos de Portugal, surfei apenas na companhia do meu filho e uma ou outra vez na companhia de um Espanhol que atónito, perguntava constantemente se cá ninguém fazia surf e se não havia crowd.
Por vezes, são as matinais, outras, as horas de almoço, algumas os finais de tarde. É preciso saber escolher as marés, adaptar ao tamanho do swell e tentar ser só um bocadinho menos ovelha que outros e não procurar rebanhos.
Quanto à dicotomia surf/neve, não consigo comparar. Os prazeres que tiro de ambos, são intrinsecamente distintos. (os custos tb...) Por exemplo, este que foi um ano magnifico de neve, poderia levar a sopor que foram 4 meses sempre a bombar. Errado, como no surf, temos que saber esperar pelos dias certos. Que os ventos baixem e que as nuvens dêem um descanso. Nevou mto, mas dias de powder e sol, foram poucos. Mas ao contrário do surf, para a neve estou sempre em forma. Os meios mecânicos levam-me para cima e tecnicamente, estou sempre apto. Já no Surf... . A forma física tem uma importância capital e a técnica facilmente nos compromete se não estiver rotinada. Uma coisa é certa, não consigo escolher e gosto muito das duas actividades, ao ponto de já ter tido a oportunidade de surfar de manhã e snowboardar à tarde.
Abraço
Zé
Parabéns Pedro,
Nunca tinha visto uma ideia tão importante e com a qual partilho opinião, tão bem sintetizada. Está tudo dito. E pronto.
Abraço,
Miguel
Afixado por: Miguel Pedreira em junho 26, 2009 04:22 PMeste localismo wannabe hawaii do crowd portugues, é acima de tudo muita descabido.
e por isso que ninguem tem vontade de vir surfar em portugal. falam ae dos estrangeiros que sao um perigo? sinceramente acho que sao os menos perigosos desta cena toda.
Porque quê que neste set de comentarios ninguem fala do perigo que é surfar nas praias portuguesas onde o chorrilo de asneiradas e ameacas,deixam constrangido qualquer surfista que apenas queira passar um bom final de tarde a curtir o pôr do sol, ou qualquer miudo mais novo que so ali esta pela magia que o surfe é para ele, ou qualquer atleta que esteja ali para treinar?
essa arrogancia impossibilita'vos de ver o bom senso alheio, nenhum surfista pouco experiente vai aguentar muito tempo dentro de agua se estiverem altas ondas, e vir que está a atrapalhar alguem. o mais provavel é sentir.se mal e sair de agua ou entao, nada como uma conversa para acima de tudo ensinar a nao atrapalhar, ensinar pra nao remar directo para o pico, etc.
porque que têem a pretensao de achar que todo o surfista é tao inflexivel como voces?
preocupem.se mais com a posicao dos vossos joelhos do que com os outros. se souberem surfar n vai ser o crowd que vos vai impossibilitar de faze-lo.
Ou entao nunca havia nenhum parko, saido da goldcoast onde ha mais gente do que agua!
e sim é bem possivel desenvolver um turismo sustentado e equilibrado, assente na qualidade. sabem que para alem desses paparucos que voces definem, iria tambem chamar gente que surfa a serio, que nos pode acima de tudo ensinar qualquer coisa e puxar o nosso surf pra frente! com o the search em peniche nao vao vir so ingleses e franceses que nunca surfaram na vida, vao tambem vir muitos lacomares, e muitos kellys a partir tudo e que habituados ao crowd, nao vao so dar um granda show de surf, vao respeitar.nos tambem e acreditem que nao nos vao dropinar!
1 abrc
Alguém está a ver o webcast do WCT?Em inglês... Nunca vi comentários tão maus.. Onde é que o foram buscar?? À bocado até dizia que o Aritz era inglês ou uma coisa assim
Afixado por: Duarte Catela em junho 27, 2009 02:49 PMBoas,
José com tudo o que tu disseste, ainda n percebi o que é isto de localismo, porque normalmente o problema do crowd só existe em dias de mar pequeno, quando o mar está bom e grande nunca tive problemas com o crowd. Além disso se o localismo for transposto para o nosso dia a dia e não só para a água, então chegáva-mos ai cumulo de quem não é de Lisboa por exemplo não poder estacionar em lisboa nem poder visitá-la.
Já é tempo dos portugueses deixarem de ter só garganta e dedicar-se apenas ao surf, além disso o mar é publico.
Ah e se forem as Maldivas não digam que são Portugueses, por já temos por lá má fama. Engraçado né
Abraços
Abraços
Afixado por: João em junho 27, 2009 04:15 PMO webcaster inglês é o Senhor Darin "Ithaka" Pappas.
Afixado por: mc em junho 27, 2009 07:01 PMAquela hora nao era..
Afixado por: Duarte Catela em junho 27, 2009 08:40 PMBoas
Há muitos anos que defendo precisamente esta ideia. Sem dúvida que temos uma mais-valia natural para desportos nauticos que é equivalente à neve no resto da Europa. Condições naturais para surf ou qualquer outro desporto de ondas são de alto nível e isto para não falar no visual lindo das nossas praias e é estúpido não o aproveitarmos de uma forma sustentada e equilibrada.
Crowd? Sim, há. Já há vinte anos havia... em Carcavelos, na Costa, até na Praia Grande (em dias pequeninitos, é claro). Mas é garantido que conhecendo, encontram-se picos de enorme qualidade a quebrar só com dois ou três manfias.
É normal que praias que já "sofrem" os efeitos do crowd venham a sofrer ainda mais e às vezes é preciso fazer escolhas: não se vai surfar ao Amado ou a Carcavelos, por exemplo. Há tantas e tão boas opções que esta história do crowd é uma falsa questão, por exemplo, toda a gente conhece Coxos e quantos de nós é que têm tomates para surfar lá ou até na maior parte dos picos quando está um mar respeitável?
E quanto aos localistas só tenho uma coisa a dizer: "up yours, Portugal não é só teu".
Quem confunde (ou quer confundir) localismo com ser contra a transformação do surf num mero negócio onde tudo vale para ganhar dinheiro não entende mimimamente do que se está a falar. Tem graça que alguns dos mais agressivos localistas do mundo e também em portugal entram em campeonatos, são patrocinados e são aplaudidos pelo publico e pelos media. Pensem pelas vossas cabeças e não se limitem a debitar o discurso que o negócio do surf implementou na comunidade.
Afixado por: livre em junho 30, 2009 12:04 AM